Que surpresa da Mãe Natureza
No último espreguiçar de 2018!
A chuva cai em fortes bátegas
Canta melodias no vidro da janela
Escorre em fios que se atropelam
Gordas gotas ficam aqui e ali
Uma pintura transparente de água
Esta chuva repleta de bênçãos divinas
Rega a terra já ansiosa por estes beijos
Frios e húmidos mas calorosos
Fecundadores das sementes adormecidas
Qual Cinderela à espera do beijo da Vida
E as sementes tocadas e surpreendidas
Abrem os olhos devagarinho
Começam a caminhar terra fora
Até à expansão total
Até à luz do crescimento
Um milagre aconteceu!
Esta chuva copiosa e grossa
Trespassa-me os músculos e os tendões
Os ossos e os órgãos e a pele
Enfim, tudo o que Sou
Levando tudo o que já não serve
Trazendo energias de libertação e cura
De esperança e renovação
De fecundação da nova vida nova
Gratidão a esta surpresa
Princípio de outras vidas
Margarida Corujeira,
31-12-2018

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