Uma vontade e um desejo profundos
Um amor maternal indizível
Vindos algures de um canto recôndito
De embalar um recém-nascido
De contemplar a beleza ímpar
De admirar a fragilidade e a grandeza
De acompanhar o lento espreguiçar
De sorrir constantemente para este Ser
De lhe prestar cuidados
De lhe dar todos os mimos
De lhe vestir roupas macias e coloridas
De lhe cantar baixinho e doce
De decorar o quarto com Fadas e Unicórnios
De mil sentimentos sublimes viver
Um universo encantador na realidade
É a minha criança interior
Pacificada com ela própria
Num entendimento de Luz
Sorri e dança em pé de bailarina
Está tudo bem no seu mundo
É muito amada
E à sua volta todos se amam
Todos conscientes de todos
Que perfeição harmoniosa!
Outrora
As crianças de colo
Durante longos anos
Nada amoroso me despertavam
Apenas um ser irrequieto
Veloz na ação
Mil atenções requeridas
Quanta indiferença!
Quase roçando a repugnância
Um vazio desorientador
Uma distância abismal
Havia algo errado em mim
Profundamente estranho
À luz da consciência de hoje
Dores lancinantes da minha criança
O abandono vivido nesta e noutras vidas
Como poderia tolerar a alegria das outras?
A presença subtil e intensa das dores
Criaram um véu compacto e invisível
Que agora se desfez em luz cristalina
Gratidão incomensurável a mim!
Gratidão incomensurável a todos os Mestres!
Margarida Corujeira, 16-12-2018

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